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A Peste de Albert Camus e a Atualidade do Humanismo Camusiano

Há pelo menos duas maneiras de ler A Peste. A primeira, sugerida pelo próprio Albert Camus, é histórica: o romance como alegoria da ocupação nazista na França. A segunda é mais ampla e mais sombria: a peste como imagem da própria condição humana. Entre essas duas direções — a história e a metafísica — o livro se move, sem jamais se deixar reduzir inteiramente a nenhuma delas.

Publicado pouco depois do fim da guerra, o romance carrega ainda o peso imediato da experiência coletiva. A cidade sitiada, o isolamento, a separação dos corpos e dos afetos, a presença constante da morte — tudo isso remete diretamente à vida sob a tirania. Mas o que Camus parece captar com mais precisão não é apenas a violência do acontecimento, e sim o modo como ele se instala: como surpresa, como estupefação, como uma ruptura brutal da continuidade do cotidiano. A normalidade, que parecia tão sólida, revela-se frágil; o hábito desaparece e em seu lugar surge uma existência suspensa, dominada pela incerteza.

A forma do romance reforça essa impressão. A narrativa assume o tom de uma crônica, quase impessoal, como se buscasse registrar os fatos com uma objetividade deliberada. Esse narrador, inicialmente anônimo, retira da experiência qualquer excesso emocional e a submete a uma espécie de disciplina racional. No entanto, à medida que a narrativa avança, as singularidades emergem: rostos, vozes, histórias. É dessa tensão entre o anônimo e o individual que se forma algo como um sujeito coletivo — não uma soma de indivíduos, mas uma comunidade que se descobre a si mesma na adversidade.

O tempo acompanha esse movimento. No início, as datas são precisas: os primeiros ratos mortos, os primeiros doentes, as primeiras mortes. Há ainda a tentativa de situar os acontecimentos dentro de uma ordem inteligível. Mas, pouco a pouco, o calendário perde relevância. O tempo passa a ser medido pela própria peste — por seus ciclos, seus picos, suas pausas. É como se a experiência saísse do tempo comum e entrasse numa duração própria, repetitiva e opaca. Apenas no final, com o recuo da doença, o calendário retorna, como sinal de que o mundo recupera, ao menos em parte, sua forma anterior.

Mas o romance não se limita a descrever essa experiência. Ele a interroga. Mais precisamente: interroga as respostas possíveis a ela.

Cada personagem encarna uma forma de enfrentamento.

O doutor Rieux é, talvez, o centro moral do livro. Desprovido de ilusões metafísicas, ele não busca explicações últimas nem consolos transcendentais. Sua resposta é a ação — contínua, obstinada, sem heroísmo declarado. Ele age porque há sofrimento, e isso basta. Sua ética não se funda em princípios abstratos, mas numa exigência simples de honestidade diante do real. Há nele algo de estoico, mas sem a serenidade plena do estoicismo; sua ação é atravessada por uma melancolia discreta, por uma consciência aguda dos limites. Ainda assim, é ele quem melhor encarna a ideia de que, diante do absurdo, o homem se define por aquilo que faz.

Jean Tarrou, por sua vez, introduz uma dimensão mais reflexiva. É o único cuja história conhecemos com alguma profundidade, e isso o torna, de certo modo, um observador dentro do próprio romance. Seu percurso é o de alguém que, tendo reconhecido a violência inscrita nas estruturas do mundo, procura uma forma de não se tornar cúmplice dela. Sua recusa da indiferença o leva à ação, mas uma ação que se quer lúcida, consciente de suas próprias ambiguidades. Em Tarrou aparece também um tema caro a Camus: a amizade. Não como afeição superficial, mas como uma exigência rara, quase austera — uma forma de comunhão fundada no reconhecimento mútuo da fragilidade.

Joseph Grand representa outro registro: o da vida comum. Funcionário modesto, existência repetitiva, ambições mínimas — tudo nele parece apontar para o anonimato. E, no entanto, é ele quem sustenta, com uma perseverança quase silenciosa, a continuidade da vida. Sua tentativa interminável de escrever a frase perfeita tem algo de patético, mas também de profundamente humano: a busca de uma forma que nunca se alcança. Em Grand, o heroísmo não está no gesto extraordinário, mas na persistência dos sentimentos simples, na fidelidade a uma tarefa modesta.

Raymond Rambert introduz o conflito entre felicidade individual e responsabilidade coletiva. Inicialmente, sua única preocupação é fugir da cidade e reencontrar a mulher que ama. Sua posição é compreensível, quase instintiva. Mas, ao longo do romance, essa posição se transforma. Quando finalmente tem a chance de partir, decide ficar. Não por obrigação externa, mas por uma tomada de consciência: a de que não é possível ser feliz sozinho. Sua escolha marca a passagem de uma lógica privada para uma ética da solidariedade.

Cottard, ao contrário, encarna a perversão dessa lógica. Ele prospera com a peste. A desordem geral lhe convém; o sofrimento alheio se converte em oportunidade. Sua figura remete, de maneira transparente, ao colaboracionismo — àqueles que, em tempos de catástrofe, encontram vantagem na desgraça comum. Sua indiferença ao destino coletivo é uma forma de ruptura radical com qualquer ideia de comunidade.

Já o padre Paneloux dramatiza a crise da fé. Seu primeiro sermão interpreta a peste como punição divina — uma leitura que ainda preserva a ideia de uma ordem moral do mundo. Mas essa posição se torna insustentável diante do sofrimento concreto, sobretudo da morte de uma criança. A partir daí, sua fé se desloca: já não se trata de compreender, mas de aceitar. A crença torna-se uma aposta, um gesto sem garantias. Em Paneloux, a religião não desaparece, mas se torna trágica.

Essas figuras não são apenas personagens; são possibilidades. O romance funciona, assim, como uma espécie de laboratório moral, no qual se experimentam diferentes modos de responder ao absurdo. E, sem impor uma solução única, ele sugere um horizonte: o da ação solidária, modesta, persistente.

Há, em tudo isso, um humanismo particular — um humanismo sem ilusões. Não há promessa de redenção, nem garantia de sentido. O estilo de Camus acompanha essa postura: sóbrio, direto, quase despojado. As frases são claras, as imagens concretas, o tom contido. Não há excesso retórico, mas uma espécie de fidelidade ao real, como se a linguagem devesse se manter à altura daquilo que descreve.

Reler A Peste depois da pandemia recente altera profundamente sua recepção. Antes, era mais fácil permanecer no plano alegórico: a peste como metáfora da guerra, como figura do mal histórico ou metafísico. A distância temporal permitia esse tipo de leitura. Mas a experiência concreta da doença — o medo, o isolamento, a contagem diária dos mortos — dissolve essa distância.

O que antes era símbolo torna-se reconhecimento.

Ler o romance nesse novo contexto é fazê-lo ressoar com um presente ainda vivo: os ruídos das notícias, as estatísticas, os gestos de precaução, a percepção constante da vulnerabilidade. A peste deixa de ser apenas imagem de um passado ou de uma abstração filosófica e passa a ser também descrição — ainda que indireta — de uma experiência compartilhada.

Isso não empobrece o livro; ao contrário, o amplia. Ele deixa de ser apenas um aviso ou uma memória e se torna uma espécie de guia sensível para atravessar a adversidade. Ensina não como evitar o sofrimento, mas como habitá-lo sem ceder ao desespero.

Se há uma lição, ela é discreta: diante do flagelo, não há grandes soluções, apenas gestos. A solidariedade, a compreensão mútua, o trabalho cotidiano — formas modestas de resistência que não eliminam o mal, mas impedem que ele seja absoluto.

No fim, talvez seja isso que o romance afirma: que, mesmo no interior da catástrofe, algo persiste — uma recusa em abandonar o outro, uma fidelidade à vida que se manifesta não em grandes declarações, mas na continuidade dos atos.

E é dessa fidelidade, silenciosa e obstinada, que depende tudo o que ainda pode ser chamado humano.

Por onde lemos Madame Bovary?

A Anatomia da Desilusão e o Triunfo da Mediocridade

Introdução

Depois de cento e cinquenta anos de leituras e de comentários muito já está estabelecido do valor de Madame Bovary. O romance é reconhecido como uma obra fundadora do Realismo europeu, crítica contundente à escola romântica e recusa da moral burguesa do século XIX, além de um marco da técnica do romance, o exemplo do rigor extremo do ofício do romancista. Ezra Pound em um ensaio famoso afirmou que “quanto a técnica, a prosa deveria ser estudada a partir de Flaubert”. De fato, de Madame Bovary tudo já foi dito: a precisão das descrições, a arquitetura da composição, a psicologia dos personagens, a dissecação da vida provinciana, a crítica da ilusão. E entre tudo que foi dito se inscreve a minha experiência de leitura.

Madame Bovary está longe de ser o meu livro preferido de Flaubert. Na verdade, em Três Contos, a história “Um Coração simples”, foi a minha segunda experiência de leitura de Flaubert, e que permanece sendo para mim um dos momentos mais altos da prosa de imaginação, o momento raro em que uma escrita fria e analítica queima a nossa sensibilidade com o reconhecimento da compaixão.

Mas eu poderia citar também a sua correspondência ou o romance Educação Sentimental com a radiografia do fracasso de toda uma geração, sua reflexão da história. Todos esses mais lidos e admirados que Bovary.

Ainda assim, foi Madame Bovary o livro que mais li. E essa agora foi minha terceira leitura de um livro que somos constantemente solicitados a ler.

A Moldura de Charles: O Rigor da Forma

E talvez tenha sido justamente a repetição o que me permitiu perceber com mais nitidez algo fundamental: o rigor estrutural de Flaubert faz com que a história de Emma comece e termine dentro da moldura da vida de Charles Bovary, e isso propõe toda uma vasta leitura do romance.

Notemos que este se abre com a infância de Charles e se encerra com a sua morte e a dispersão de seus bens. Como um conjunto, a existência de Emma está contida na vida de Charles e é limitada por sua narração. Essa escolha não me parece neutra. Ao contrário, ela, de uma certa forma, organiza toda a leitura. Ao apresentar Charles como inepto, desajeitado e irremediavelmente medíocre, Flaubert estabelece o pano de fundo contra o qual Emma irá se inscrever e se insurgir. A vida de Charles é a medida da normalidade burguesa que envolve Emma, uma normalidade opaca, repetitiva, sem imaginação.

Mas essa emolduração também tem um efeito mais sutil e mais cruel: a história de Emma só pode existir dentro da vida de Charles. Ela não é somente Emma — é “Madame Bovary”. Sua identidade é derivada, apontada, socialmente definida. A narrativa incorpora, assim, a própria estrutura de subordinação que descreve.

O Espelho da Alienação

E essa escolha aponta que o romance não se reduz à tragédia de Emma, mas se constitui conjuntamente da tragédia de Charles. Pois, se Emma fracassa por excesso imaginativo, Charles fracassa por ausência de imaginação. Eles se espelham e se invertem. Se Emma é imaginação descontrolada, Charles é a falta de imaginação.

Daí que a tragédia de Madame Bovary não esteja apenas no destino de Emma, mas na convergência entre dois destinos divergentes em seus desajustes: o excesso de sonho de um e a incapacidade de sonhar do outro.

Ambos expressam uma forma de alienação.

Emma deseja viver segundo imagens herdadas da literatura: amores sublimes, gestos grandiosos, luxos e arrebatamentos raros. Sua tragédia é o choque entre o ideal e a matéria, entre o sonho e o cotidiano. Charles, ao contrário, não vê além do que tem diante de si. Vive imerso em hábitos, gestos automáticos, na sua mediocridade satisfeita. Sua tragédia é não perceber a tragédia e talvez julgar que a tragédia não exista.

Ambos estão presos, cada um à sua maneira, ao que Flaubert chamou de bêtise: esse embotamento da inteligência e da sensibilidade que a existência burguesa parece produzir.

E sob essa luz, o romance deixa de ser apenas a história de um adultério, ou o destino triste de uma mulher para se tornar uma anatomia da desilusão — e, mais profundamente, um estudo de caso radical da estupidez.

A estupidez de Emma está em tentar viver uma vida imaginária sem compreender ou aceitar as condições reais que a devem sustentar. A de Charles está na incapacidade de superar o mecanismo social que o define, a essência de seu papel. São dois extremos que se encontram na ruína.

O contraste final com Homais torna isso ainda mais evidente e doloroso. Enquanto os Bovary são destruídos, Homais (a mediocridade burguesa autoconsciente e satisfeita) prospera, recebe honrarias, acumula prestígio. O romance termina não com a redenção, mas com a vitória acachapante da mediocridade satisfeita. A moldura de Charles prepara esse desfecho: o desaparecimento silencioso do homem comum e de certa forma sensível, abre espaço para o triunfo ruidoso da estupidez social.

Outro aspecto estrutural que me chamou a atenção foi o paralelo entre as duas esposas de Charles. A primeira, a viúva Dubuc, morre rapidamente após um colapso financeiro e moral. Sua morte é seca, quase sem relevo, condizente com sua figura apagada. Emma, ao contrário, tem sua agonia descrita em detalhe, numa intensidade quase insuportável.

O Dinheiro como Operador do Desejo

Ambas são vítimas de ilusões e de ruínas materiais. Mas enquanto uma desaparece sem deixar vestígios, a outra transforma sua morte em espetáculo. Possivelmente há, nesse contraste, uma reflexão sobre a relação entre sofrimento, visibilidade e valor.

E isso nos leva a um dos eixos centrais do romance: o dinheiro.

O dinheiro atravessa todas as relações do romance. De uma certa forma ele é o romance. Vejamos, o primeiro casamento de Charles é um negócio direto sustentado por um dote. O segundo também é um cálculo, uma negociação silenciosa entre famílias burguesas. O amor se estabelece como subproduto de um acordo econômico.

É Lheureux que encarna essa lógica material de forma quase pura. Ele não é apenas um agiota, mas um operador do desejo. Seduz a cidade com crédito, cria dependência, transforma sonhos em dívidas. Sua ação é discreta, silenciosa, mas devastadora. Ao final, ele não apenas lucra com a tragédia de Emma, ele absorve os restos de sua vida como despojos merecidos.

Mesmo os amantes de Emma estão inseridos na lógica totalizante da economia. Rodolphe, o nobre, exerce o privilégio do desapego de sua classe, sua posição lhe permite conquistar sem consequências. Léon, burguês apenas e mais modesto, ascende lentamente, moldando-se às expectativas sociais. Nenhum dos dois oferece a Emma aquilo que ela realmente deseja: uma transformação de sua existência.

Aqui se torna evidente a proximidade e a lição de Balzac, o anatomista da concretude do dinheiro. Mas enquanto Balzac descreve o funcionamento do dinheiro na sociedade, a materialidade de seu poder formativo nas relações sociais, Flaubert o investiga como experiência subjetiva, como devastação psicológica. O dinheiro, em Madame Bovary, não é apenas estrutura, é também sensação, ansiedade, ilusão.

A tragédia de Emma é inseparável dessa dimensão do dinheiro. Ela tenta viver como aristocrata, mas com recursos burgueses. Quer o luxo sem ter a base material que o sustenta, quer a licenciosidade moral sem a proteção social que tornaria este comportamento possível. Ela não sabe, não tem como saber, que o nó é estrutural.

A aristocracia, tal como ela a imagina, organiza a vida em torno do desejo e do prazer. O dinheiro não é questão, mas a condição invisível. Já a burguesia vive sob o signo do cálculo: reputação, crédito, estabilidade, as vezes próxima demais da mera pobreza. O casamento é uma sociedade e uma empresa; o amor, um risco.

Emma tenta impor um sistema de valores aprendidos na literatura para um mundo que não pode realmente sustentá-lo. Seus gastos são tentativas de comprar uma cenografia (vestidos, objetos, gestos) que simulem uma vida que não lhe pertence. Mas a sociedade real na qual ela está inscrita e que ela despreza é a mesma que a julga e a condena.

A rigor, Emma não quer ser burguesa (pois despreza a burguesia de Yonville), mas também não pode ser aristocrata. Sua tragédia de classe, talvez.  é “não ter classe” no duplo sentido: ela não pertence a uma classe definida (é da pequena-burguesia rural) e não tem “classe” ali como distinção social. Seus gestos aristocráticos são simulacros que apenas a burguesia provinciana percebe como ameaçadores, mas que a verdadeira aristocracia despreza. Ela está no limbo social — e o limbo é o lugar ideal para a queda.

E então a sua queda é inevitável porque suas ações indeterminaram o seu lugar.

Nesse sentido, Madame Bovary é também um romance sobre classe, não só no sentido explícito de conflito político, mas também como a estrutura invisível que regula o que é possível e o que é impossível de ser tentado.

Emma: A Personagem em busca de um Papel

Mas aqui, preciso dizê-lo, há ainda um outro movimento, mais íntimo, psicologicamente mais complexo e não tão simples de entender: Emma não busca apenas em suas ações uma outra vida — ela busca um papel. Ela quer ser uma personagem.

Então vejamos: sempre que a desgraça se aproxima, sua linguagem se intensifica e seu comportamento se dramatiza. Seus gestos se tornam mais teatrais. O sofrimento não a destrói imediatamente, ele a alimenta. A realização mesmo circunstancial de seus anseios, ao contrário, a frustra. Quando o desejo se concretiza, revela-se banal e ela não suporta a banalidade.

O que a sustenta é a expectativa do transe, o interdito do tabu sonhado, a preparação da vertigem muito menos que o encontro.

Daí que em uma perspectiva radical de julgamento, Emma não busca a felicidade; busca a intensidade voraz do devaneio. A encarnação radical no papel de heroína romântica. Ora, essa intensidade só se realiza plenamente no sofrimento, e talvez na morte. Sua melancolia é um modo de se distinguir, de se afirmar como diferente da esfera burguesa de sua vida e apenas igual a imagem de seus romances. Sem o drama da dor, sua vida não tem sentido.

Nesse caso, sua morte não é apenas um fim, mas a culminação, já antes encenada, da sublimidade de seu papel. É o momento em que sua vida finalmente coincide com a forma que ela sempre desejou: a da tragédia.

Mas Flaubert neste exato momento, como um implacável fisiologista, retira toda a idealização romântica de seu suicídio e o reduz ao sofrimento atroz de uma pequena e miserável mulher que lentamente agoniza. O romance se encerra com o lento desvario de Charles e a infelicidade da vida de Berthe.

Ao contrário da viúva Dubuc que morreu de uma forma seca e moralizada e quase desapercebida, Emma transforma a sua morte em espetáculo. Mas, ao final, um espetáculo inútil. Ninguém aprende nada com a morte de Emma. Nem Charles (que só entende tarde demais), nem Homais (que prospera), nem Rodolphe ou Léon (que seguem suas vidas). A intensidade de Emma é devorada pelo silêncio que se segue. É a derrota final do romantismo: não apenas a morte da heroína, mas a indiferença do mundo diante dela.

O Triunfo de Homais

Somente a mediocridade triunfa e Homais ao fim acaba desbaratando os poucos pertences que sobraram daquelas vidas destroçadas. Nada resta para além daquelas personagens e delas apenas se salva, ironicamente, a literatura, a mesma literatura que foi de uma certa forma a maldição de Emma Bovary.

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